ROMANCE D’UM POR DE SOL

                            João Marin e Sebastião Teixeira Correia

Por de sol é fim de tarde.

Cambona escuta calada

Do braseiro o cochichado…

A fumaça matizada

Do  telhado, chega a quincha,

Ganha o mundo d’outro lado

Se esgueirando pelas frinchas...

 

A cuia faz ritual,

Num jogo de vai-e-vem,

Mas não no rancho de quem

D’alguns janeiros não tem

Com quem fazer parceria.

 

Cheguei assim, de carancho.

Dei Oh! De casa..., já dentro

Do teu rancho coração.

Joguei badana e pelego

No canto esquerdo do mesmo,

E o cusco mais que ligeiro

Achegou-se sorrateiro

Lá por perto do fogão.

Fiz teu coração tapera

Florescer em PRIMAVERA,

Mesmo fora de estação…

 

Fiz teus olhos, já descrentes

Se iluminarem contentes,

Dois botões incandescentes

Pela chama da esperança,

Rebrotada em teu olhar…

 

E os lábios, ja ressequidos,

Novamente umedecidos,

Foram se abrindo discretos…

Cautelosos, mas inquietos,

Manifestando desejos

Ate então escondidos,

Controlados, reprimidos,

Sem ter outros prá beijar.

 

De prenda, te fiz chinoca,

E dei-me a ti por regalo;

E antes do canto dos galos,

Te acariciei com mil beijos…

No incontido dos desejos

Aconcheguei no meu peito

Teu rosto de rosa em flor.

 

Imaginei cumeeiras

Erguidas para o nascente;

Imaginei nas coivaras

O germinar das sementes;

No terreiro e no arvoredo,

A algazarra do piazedo

Sublimando nosso amor!

 

Seria, enfim, o meu porto,

Do meu galpão o esteio,

De torena, o meu rodeio,

Ou apenas uma ronda

Nesta tropeada infinita

Que culatreio , faz tempo,

Sem ter pressa de chegar?

 

O verão se queda findo,

E o cheiro do Vento Norte

Traz d’outra plagas fragrancias,

Num vendaval de recuerdos,

Coração aos manotaços

Demonstra desasossegos,

Renascem almas viajeiras,

Mascates e andarilhas,

Sedentas d’outros MUNDOS…

 

Juntei badana e pelego

Recunciando o aconchego

Do teu rancho coração…

 

Pela frincha da janela,

Espias minha partida

Discreta, sem muito alarde,

E o soluço que nao ousas,

Estancas dentro do peito,

Pois sabias, nao tem jeito,

Fui parido GARIBALDI.

  

Por de sol…

… é fim de tudo

Por de sol…

… é fim de tarde…