CAÇADA EM BOM JESUS

Paulo de Freitas Mendonça

 

Três violas afinadas

Beirando um fogo de chão

Dentro de um bueno galpão

Há cantigas e pajadas

As caças vão ser assadas

P'ra saciar o momento

E que prevaleça o talento

Destes buenos violeiros

E que nenhum dia matreiro

Lhes corte os sentimentos.

 

Corre a canha e o chimarrão

De mão em mão no intervalo

P'ra limpar o gargalo

E dar mais inspiração,

Que venha nova canção

Sendo até de improviso,

E um causo que cause riso

Ou talvez uma poesia

Pois a paz e alegria

P'ra viver é preciso.

 

No fogo quase sem luz

O churrasco foi assado

E ele fora caçado

Nos campos de Bom Jesus

Veado, lebre, avestruz

Um tatu e dez perdizes

Que foram os infelizes

De levar os tiros certeiros

Destes índios campeiros

Que se sentem os felizes.

 

É lindo ver a gauchada

Numa comilança louca

Tocando gaita de boca

Na costela bem assada

Com facas bem afiadas

Vão cortando com destreza

Com uma grande firmeza

De quem está acostumado,

Muito bem churrasqueado

E feito muita proeza.

 

Quem já comeu se levanta

Com a cara mui contente

Bebendo uma aguardente

Para limpar a garganta

Principalmente quem canta.

Todos sentados nos bancos

Até esparramam os tamancos

Um para cada lado

Ficando assim atirados

Todos com sorrisos francos.

 

Entre o cantar

Vem os causos, vanglórias

Elogios e as histórias

Que recomeçam contar

O que tiveram de enfrentar

Corridas e caminhadas

Entre os campos e picadas

Que afinal nem sei bem

Mas prometem para o ano que vem

Voltarão para outra caçada.