CAMPEREANDO AMIZADE

Paulo de Freitas Mendonça

 

Me lisonjeia a amizade

Ainda existente

Neste Rincão Galopeiro,

Reforçando o sentimento

Com o pedido que faço,

Dispensando hoje o aço,

Largando os talheres de briga,

Vamos esquecer intrigas

E viver constantemente

Em sorridentes abraços.

 

Se a vida é feita em conjunto,

Pois juntos vamos viver

E assim defender

O nosso bravo ideal

Que é o amor por esta terra,

Unidos, sempre unidos

Como os heróis Farrapos

Foram parceiros da Guerra.

 

Neste Rio Grande pampeano

Sempre houve honestidade,

Fator fundamental de um amigo,

Eta forte lealdade,

Viver solito eu não consigo,

Sou de constante parceria

E é pior que uma ventania

Quando se perde amizade.

 

De teatino a campo fora

Tenho a experiência que trago,

Eu sofro mas não me apago

Quando vejo honestidade morrendo,

Então eu grito e repito

E com minha raça protesto,

Embora um índio solito,

É preciso ser honesto.

 

Já andei por este Pago,

Conheço de ponta a ponta,

E a cada lugar que fui

Buena gente encontrei,

Embora eu tenha voltado,

No peito eu trago guardado

As noitadas de setembro,

Buenachas da primavera;

Em cada verso relembro

Esta indiada tão cuera.

 

Pois amizade ao meu ver

É um sentimento Divino,

É como um bater de sino

É algo que não tem fim,

Ou um tocar de clarim

Mandando a indiada avançar,

É hora de proclamar

Esta amizade constante,

Antes que este mundo maltratante

Venha por nos matar.