PAJADA EM CAMPO ABERTO

Paulo de Freitas Mendonça

 

Pampa é meu galpão

O céu, o teto e fumaça

E cada nuvem que passa

Deixa a recordação,

Igual roda de chimarrão

Que principia e se alonga

Ou o cantar de araponga

Que se ouve campo a fora

E o vento que veio agora

É um bordonear de milonga.

 

A imensidão do Rio Grande

É minha grande invernada

Que de noite ou madrugada

Denso sereno se expande

E por mais que eu ande

No lombo do meu cavalo

P'ra cada vez mais adorá-lo,

Vou cruzando mil barreiras

Sem encontrar fronteiras

Para este meu regalo.

 

Vejo campanha, serra,

Missões, litoral

E a depressão central

Unidos na mesma terra,

Lutaram na mesma guerra

Pela nossa liberdade

E lhes digo por verdade

Que este crioulo conteúdo

É o rincão mais macanudo

E há hospitalidade.

 

Vejo o vento soprando

Igual ao Tupi Guarani

Até parece que vi

Este guerreiro lutando

E veloz galopando

Pelo campo e roça

A gritar o quanto possa

"Nos vivemos em liberdade,

Vai embora crueldade,

Porque esta terra é nossa".