PAVILHÃO GAÚCHO

Paulo de Freitas Mendonça

 

Tremulas, ó Pavilhão

Com teu colorido empatriado,

És a legenda buenacha

De todo gaúcho honrado.

Entre o verde, o amarelo,

O branco e o colorado

Está o símbolo das armas

E República Rio-grandense

Nosso Vinte de Setembro

Que ficou em ti gravado.

 

O sarandeio que fazes

Quando o vento te ataca

Parece manuseio de adaga

Na mão do guerreiro,

Que fora campeiro

E na ânsia de vencer,

Sem jamais se encolher

E por ti sentir amor

Para te defender

Se tornou peleador.

 

O vento aumentando,

Avança teu sarandeio

Como se fosse um peão

Domando um potro novinho

Tapeando o focinho

E lhe dando de mango,

Ou talvez um fandango

Desses buenos de galpão,

Onde a Rancheira e o Chote

Levantam a poeira do chão.

 

Quando te vejo tremulando

Ou peleando com o vento,

Até parece que lembro

O dia Vinte de Setembro,

Com aquela indiada bagual

Chefiada pelo Bento

Com autoridade franca,

Entravas na Capital

Com jeito de maioral

Vindo de Pedras Brancas.

 

Tuas cores representam

A beleza e riqueza,

As armas, a firmeza

De quem lutou por ti de fato;

O branco, a sede de paz,

O vermelho, ansiedade

De ver o sangue derramado

E a honra do lenço colorado.

Liberdade, igualdade, humanidade,

Foi teu ideal traçado.

 

Tu fostes o símbolo da guerra,

Hoje do nativismo

Que expressamos na paz,

Na honra e no sangue

De um povo audaz,

Que revive com civismo

Este Rio Grande Gaudério

Que continua capaz;

Revivendo sem mistérios

Andejadas de muitos anos atrás.