RETORNO DA ALMA

Paulo de Freitas Mendonça

 

Expandindo o pensamento

Me fiz índio pajador

Expressando o meu amor

Com um pingo de talento

E por pelear ao relento

Incentivei minha raça

Para ser minha comparsa

De gaúcho mui campeiro

Demonstrando-me altaneiro

Sendo justo, sem farsa.

 

Larguei minha guitarra

Para pegar minha lança

Com coragem e esperança

Demonstrando minha garra

Larguei pulperia e farra

Em defesa de um ideal,

Contra o governo imperial

E contra os castelhanos

Até sofri desenganos

Mas honrei a terra natal.

 

Se me tornei peleador

É porque quis liberdade

Foi p'ra matar a crueldade

Não foi por medo ou pavor

A minh'alma sentiu dor

Porque sempre queria

Ver esta pampa sadia

E o verde do cupim

Então segui o clarim

Cheio de fé e valentia.

 

Pois eu nasci gaúcho

E sempre honrei este nome

E também meu sobrenome

Que desde a raiz sem luxo

Foi agüentando o repuxo

Que surgiu minha geração

Todos no mesmo chão

E dele se orgulhando,

Hoje estou cantando

Recuerdos na inspiração.

 

Hoje já sou índio feito

A revolução se foi

Fico gritando era boi

Com vozes que saem do peito

Com ares de satisfeito

Pois voltei a ser campeiro

Pajador e guitarreiro

Depois do chumbo e fumaça

Somente a lembrança passa

Daquele tempo matreiro.

 

Ao lutar pelo meu chão

Aprendi muito na vida

E também a dar guarida

Para o nosso rincão

Com adaga firma na mão

Me tornei peleador

Simplesmente por amor

À esta minha querência

Que assistiu minha existência

Desde piá a pajador.