RIO IBICUI

Paulo de Freitas Mendonça

 

Eu tento um rio companheiro

Que acompanho sua existência,

Pois banha minha querência

Com suas águas calmas.

Contigo muito aprendi,

Sorridentes e tristes lembranças

Eu trago da minha infância

Neste meu Rio Ibicui.

 

Sentava em tuas barrancas

Admirado e contente

Apreciando tua corrente

Que banhas este Rincão

Foi pra mim divertimento

Quando em ti me banhava

E quantas vezes pescava

Pra garantir o meu pão.

 

Me sentia entristecido

Quando a seca em ti batia,

Ficavas todo atorado

Como um verso mal rimado

Ou uma rês doentia;

E os peixes que ali boteavam

Como se a Deus imploravam

A chuva que não caía.

 

Com o queimar do sol forte

Tuas barrancas desbrugavam

E tuas águas choravam

A maldita força estranha

Que tirava a façanha

De embelezar o Pago,

De banhar as lavouras,

E dar de beber ao gado.

 

Para ali, tristonho

Pensativo a meditar

P'ra ti meu rio companheiro,

Não te assustes parceiro

Pois virão como um assobio

Fortes chuvas boas

E te tornarás novamente um rio

E não um valo com mil lagoas.

 

Como se fosse a bênção

Do nosso grande Patrão

Mandando a chuva forte,

Salvando-te da morte

Que descia num compasso

E no encontrar das águas,

O impacto como abraço

Para alegria e sorte.

 

E tu corrias solto

Novamente com alegria,

Com a maior sinfonia

De uma dança ensaiada

Fazendo destas aguadas

O retorno à natureza,

Trazendo de novo a beleza

Da várzea toda plantada.

 

Ao te ver cheio e corrente

Me senti entusiasmado,

E p'ra não chorares novamente

Com saudade do passado,

Pois há água com fartura,

Quero que tuas aguadas

Não sejam envenenadas

Nas épocas futuras.