Meu Verso

Mateus Lampert

 

Quando eu cheguei nesse mundo

Ele já era mundo... era pampa!

Eu, mais um habitante... quis entender o sentido.

 

Que sentido tem a minha existência?

Indagação que me acompanha faz tempo.

 

Por isso me fui campear as respostas...

Descobrir o que o destino me reservava...

 

Encontrei caminhos...

Encontrei dores...

Encontrei beijos e abraços...

Encontrei amores!

 

Mas eu queria mais...

 

Por que aqui?! Nessa terra de peculiar estampa.

Por que pampa... por que gaúcho... por que campeiro?

 

Então foi no lombo do cavalo... madrugando!

Tomando mate... escutando os que vieram antes...

Que por mais ignorantes são sábios...

Sabem da vida... tem respostas... as suas.

Que enxerguei mais claro meu mundo!

 

Segui meu caminho querendo descobrir minha real herança.

Daqueles que pela força e consciência forjaram a minha estampa.

Falquejaram as distancias e lutaram por algo que dá sentido à guerra...

Que é maior que a terra, que é mais é valoroso que a posse...

 

Lutaram para perpetuar o que sou e o que somos!

 

Quando comecei entender o sentido de ser como sou...

Do nosso jeito peculiar de vestir... de falar... de olhar e de sentir.

Tive vontade de soltar ao vento... todo o meu sentimento!

 

Foi tanto tempo... tantos mates... tantas prosas... tanto silêncio.

 

Sempre na busca das minhas respostas

... de entender as coisas que me fazem bem...

Me fazem sentir mais vivo...

na busca dos meus motivos

... dos meus motivos!

 

Então me encontrei contigo... meu verso!

 

Te contei todos meus sentimentos...

Te judiei... te amei... chorei e te cantei!

Te entreguei todos os meus segredos.

 

E foi em ti que me encontrei.

 

Tu um ouvinte atento...

Deu vasa a tudo o que penso...

Ao que trago de mais puro!

 

Clareaste tantos escuros... quando indaguei solito:

De que vale o dia bonito... se não posso viver o que sinto?!

 

Mas tu meu verso...

me hermanaste aos iguais.

Me aproximaste dos ancestrais...

que cantam junto contigo.

Me trouxeste respostas através dos sentimentos dos outros.

 

Quando cantei o ronco do potro

que luta para permanecer liberto...

Quando cantei o céu aberto...

e a tormenta se armando...

O dia que vem chegando...

para encilha dos campeiros.

 

Ah! Os campeiros...

sim, os que encilham dia a dia...

e mantém viva a porfia da tempera gaúcha.

 

 

Os Joãos... os Zolis...

os Paulos... os Nelsons... as Marias...

Homens e mulheres que todos os dias

vivem a sua essência... a nossa essência!

 

Através de ti meu verso é que eu encontro...

Valores que o mundo esqueceu,

amores que não são só meus

e começo a entender o sentido...

de estar aqui... de ter vivido!

 

Por isso te uso...

te reverencio...

e te elevo à oração!

 

Meu verso...

Contigo marco meu compromisso

de jamais te usar em vão...

Não quero palco... quero galpão!

Não quero prêmio... quero verdade!

 

Foi través da tua simplicidade...

que léguas e léguas recorri

e um dia cheguei aqui...

num momento de amor fraternal.

Onde até o vento é ancestral...

onde o abraço sempre é sincero...

E então encontrei o que mais quero...

o que sempre busquei...

 

Um lugar para ser totalmente verdadeiro...

E entender o sentido de ter nascido fronteiro...

pampeano... negro... índio e sul americano.

 

De alma liberta... para cantar o que acredito!