SEMEADOR

Jorge Luiz da Rosa Chaves

To de volta

aos meus pensares.

Bebo dos ares do pampa

num escarcéu de emoções

- vida e morte rodopiam -

Na esperança que me encanta,

Jorra prata pelos olhos

enquanto cala a garganta.

 

No trono do serigote

nos aplacam as jornadas.

E no esplendor das vastidões

a nossa frente,

por vezes nos surpreendem

se espichando fatigantes,

rudes, ásperas... estradas.

 

São como olhos-de-boi,

mesclados às sombras nossas,

pra abocanhar numa espera

- a miraculosa fé -

Que recebemos do além...

E guardamos nos pesuelos

pra recriar primaveras.

 

Por sorte a força motriz

que provém do Onipotente,

acena e grita pra gente.-

- “Firma o trote e vai em frente!

Semeia, semeia homem!

Te criei bom semeador.“

Te dei terra... e procedência

pra fecundação do amor".

 

Alçando a perna.

empunhando a pena,

afiando a enxada...

Com a política da causa justa

e o Rio Grande nas espaldas

- Por este chão do Brasil

-Segue adiante este civil.

 

...Na medicina da esperança,

a cada dia!

Na academia da vanguarda

de firmar novas alianças...

Surrar as próprias desilusões,

e há de manguear toda a alegria

que a alma estende num sorriso,

pra fazer rima à poesia de viver...

 

Na benção de apertar a mão

brindando a paz num chlmarrão.

Pra que se calem tantos choros

no apagar dos fogos da fome

que alimenta os gladiadores,

pra que se pichem as caveiras

nesse mural de mil temores ...

Com a seita branca do pó

vendendo alucinações,

do anfiteatro dos mitos

até a cova dos leões.

 

Por sorte impera o gauchlsmo!

E há de emanar primitivo

Seu berro ensurdecedor.-

-'Semeia!... Semeia homem,

te criei bom semeador".

 

Por estes rodeios... aos costeios

se desprendem sentimentos,

emparceirando tendências...

E vingam puras consciências

pra alinhar estes - mais novos -

Na salvaguarda espontânea

da nobre história dos povos.

 

Salve! O pendão desta conduta,

que há de nortear gerações

pras santas lutas que não ferem,

...Calos jamais cincham grilhões!...

Libertam punhos...

- Que acolhidos junto ao peito –

Em oferenda pros céus...

Fortalecidos comemoram

seus troféus.

 

Viva!

...A tradição que em profecia

- Do nativismo... à cultura -

Inoculou a xucra semente,

fertilizada nas gargantas

pra correr livre em sangue quente.

 

Hermanam” cores e dons...

Estas sagradas clareiras!

Palcos pra voz interior.

 

...Fazendo ecos pro grito:

-"Semeia! Semeia homem...

Te criei... bom semeador".