HORIZONTES LARGOS

Rodrigo Canani Medeiros

 

 

Habita meu horizonte

uma alma sorridente

e um jeito calmo de ser

que evoque a sabedoria

de um andar desmesurado.

 

Povoa meu horizonte

um céu de estrelas silentes

e um vento que sopra manso,

com grilos e vagalumes

rondando a volta das casas;

 

Ocupa meu horizonte

um alforje de lembranças

de me fazer rir por dentro

nas noites enluaradas;

amanheceres serenos

em meio às réstias de sol;

água pura de vertente

para avivar consciências

e ressonâncias de viola

despertando o coração.

 

O meu amanhã distante

de ser iluminado

por prendinhas graciosas

e inquietudes de meninos

com sorriso disfarçado

e traços bem conhecidos...

Há de ter uns olhos claros

de paixão e de mistério

e um cheiro doce de fêmea

me embriagando os sentidos.

 

O meu longínquo horizonte

de ter caminhos planos

e um caminhar de mãos dadas

de imensa cumplicidade;

de ter amigos plenos

mesas repletas de vozes,

flores de todas as cores,

vinho, pão e uma sesta.

 

O meu oculto amanhã

de tornar surpreendente

o entardecer dos caminhos,

desvendando outro horizonte

de contornos transcendentes

nesta jornada sem fim!