SONATA PARA UMA FLOR

Autor: Juliano Santos

 


Lindo dia, no hemisfério desta pampa,

onde na estrada eu cruzava a lo largo,

quando avistei linda flor , a fina estampa,

a mais bela rosa a enfeitar este meu pago.

 

Um botão florescendo mansamente,

que a cada dia florescia um pouco mais,

a flor então tomou forma imponente...

e destacou-se dentre outras, tão iguais.

 

Menina rosa, foi à flor da minha infância,

flor menina florescendo a esperança

na vida de que um dia me sorriu.

 

O botão é a nossa própria infância, pequeninos

sonhos e medos, a compor nosso destino,

feito a sanga que mais tarde vira um rio.

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A flor cresceu perfumando o seu mundo,

enfeitando este tempo que era seu

foi assim, emoldurando cada segundo,

que a rosa deste campo floresceu!

 

Um lindo quadro se formou na pampa nua,

rosa flor na campanha amanhecida,

tinha um brilho feiticeiro como a lua

na rosa moça que mostrava-se florida

 

Me vi jovem, na mesma flor desabrochada,

na juventude que invadiu  minha morada

moça de corpo e de alma  tão fugaz.

 

Me fiz mulher, descobrindo minha vida

descobri em mim, uma força descabida

no meu instinto de buscar amor e  paz.

 

Amarelou a flor que um dia foi tão bela,

e cabisbaixa, não olhou mais para a vida,

hoje murcha, segue junto a cancela

em seu mundo onde o sonho fez guarida.

 

E caíram pétalas bem junto ao seu caminho

e o vermelho desta cor já se desfez

restaram apenas no caule, os seus espinhos

fiéis guerreiros a defende-la outra fez.

 

Se ela murchou, não foi por desgosto

é como as rugas que trago em meu rosto

cicatrizes de vida que um dia passou

 

A velhice, que é algo tão natural

invade a face de quem se acha imortal

são marcas na pele, que tempo deixou .

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Me vi, envelhecida, marcada de tempo....

na flor que agora parece morrer.

Porém, bastou um suspiro de vento

para ver que o velho, voltasse a viver

 

A idade mais bela, o fruto maduro

de quem um dia já foi pó e semente

hoje garante  o nosso futuro

deixando no rastro o seu descendente

 

Rosa pampeana, que o tempo pealou

cumpriu a sina que Deus lhe deixou

ficando guardada no jardim da história

 

Te vi pequenina florindo em botão

trazendo mais vida a este rincão

guardada pra sempre em nossa memória

 

É o um ciclo da vida que se renova

um quarto de lua, radiante no céu

depois da cheia,  vem a lua nova

tão alva , tão branca, feições de papel

 

Quem vê a vida além do horizonte

sabe que a flor murchou por madura

é feito a velhice que vem num reponte

e sempre nos leva para estrada segura

 

Somos as flores do um imenso jardim

nele traçamos o nosso início e  o fim

ou quem sabe ainda, um  recomeço?

 

A flor da vida é luz dentro da alma

que no silêncio  chega e nos acalma

neste mundo que parece estar do avesso.